Histórias de uma Coalizão pelo Impacto
Três pilares fundamentais e uma jornada investigativa de 5 anos nos territórios, do impulso inicial à autonomia local e sustentação futura.
Ep. #1: O que nos trouxe até aqui?
Apresentar a origem da Coalizão pelo Impacto: o que motivou sua criação, como diferentes organizações decidiram trabalhar juntas e por que escolheram atuar em seis territórios.
As experiências e os encontros que deram origem à Coalizão, a decisão de fortalecer os ecossistemas de apoio aos negócios de impacto e as escolhas, expectativas e dúvidas que marcaram essa construção.
Uma compreensão acessível do que são negócios de impacto, do que significa fortalecer um ecossistema e de como a Coalizão se organizou para trabalhar nessa direção. Ao final, o ouvinte deve saber:
- Por que a Coalizão foi criada.
- Quem a financia e quais são os papéis das organizações envolvidas.
- Como suas oito dimensões se relacionam.
- Por que o território é central nessa proposta.
- O que a temporada vai investigar a partir dessa experiência.
A Palavra
Coalizão.
É uma palavra que a gente costuma ouvir quando o assunto é política. Ela aparece nas notícias quando partidos negociam um acordo ou quando países decidem atuar juntos. Parece uma palavra que pertence a salas de reunião, a decisões importantes, a coisas um pouco distantes da nossa vida.
Mas, quando a gente vai atrás da origem, encontra uma imagem surpreendentemente delicada. Nas raízes dessa palavra está o verbo latino coalescere, que traz a ideia de se unir, de crescer junto.
E eu gosto especialmente dessa segunda imagem.
Crescer junto.
Porque existe uma diferença entre estar junto e crescer junto.
Uma reunião pode aproximar pessoas que nunca tinham se encontrado. Mas o que acontece depois depende de alguma coisa que não cabe inteiramente naquele primeiro encontro.
Às vezes, alguém chega com uma ideia que vem amadurecendo há meses. Conta o que está imaginando e, do outro lado da mesa, encontra uma pessoa que enxerga ali uma possibilidade diferente. Ela faz uma pergunta que ninguém tinha feito ainda. E, de repente, aquela ideia já não é exatamente a mesma.
Ganhou alguma coisa que não estava lá antes.
Eu gosto de imaginar que uma coalizão começa mais ou menos assim. Quando uma ideia deixa de pertencer inteiramente a quem a teve.
E tem uma coisa bonita nisso. Porque dividir uma ideia com alguém não significa necessariamente perder um pedaço dela. Às vezes, é justamente nesse encontro que a gente descobre tudo o que ainda não tinha conseguido imaginar.
Pode ser que a conversa termine ali. Muitas terminam.
Mas, de vez em quando, alguma coisa permanece. Mesmo depois que cada pessoa volta para o seu trabalho, aquela possibilidade continua fazendo companhia. E começa, aos poucos, a encontrar espaço no meio de tudo o que já existia.
Só que existe uma distância entre sair de uma conversa imaginando um futuro possível e começar a fazer alguma coisa para chegar até ele.
É quando o entusiasmo encontra a vida real.
Porque as pessoas que decidem construir algo juntas já têm suas próprias histórias em andamento. E nenhuma delas pode simplesmente deixar tudo de lado para começar de novo.
Aquela possibilidade precisa encontrar lugar no trabalho que já fazem. E, conforme outras pessoas se aproximam, ela continua mudando.
Até que chega um momento em que aquilo que parecia apenas uma boa conversa começa a fazer parte da rotina. E uma ideia compartilhada vai se transformando em compromisso.
Talvez seja por isso que essa imagem de crescer junto combine tanto com a história que a gente vai contar.
A Coalizão pelo Impacto começou a ser desenhada em 2021 e entrou em implementação no ano seguinte, com a proposta de fortalecer ecossistemas de apoio a negócios de impacto em seis cidades brasileiras, ao longo de cinco anos.
Mas, antes de existir um plano de trabalho, havia uma aposta. A de que organizações com histórias diferentes poderiam encontrar, na colaboração, possibilidades que ainda não conseguiam enxergar sozinhas.
Neste primeiro episódio, a gente volta àquele momento em que muita coisa ainda estava por decidir. Vamos conhecer o que aproximou essas organizações e acompanhar como uma ideia que começou entre algumas pessoas foi encontrando outras dispostas a fazer parte dela.
Eu sou Andressa Jordano, editora-chefe do InovaSocial.
E eu sou Victor Vasques, diretor executivo do InovaSocial.
E, nesta nova temporada especial do nosso podcast, a gente vai acompanhar a história de uma iniciativa que nasceu da vontade de construir algo coletivamente e foi encontrando seus próprios caminhos em seis territórios brasileiros.
Histórias de uma Coalizão pelo Impacto.
Episódio um: O que nos trouxe até aqui?
Uma ideia não cresce sozinha
Antes de voltar a 2021, a gente precisa falar sobre uma coisa que parece pequena, mas que está no centro dessa história.
Uma ideia.
É curioso pensar que uma ideia pode nascer inteira na cabeça de uma pessoa. Ela imagina o que poderia fazer, como aquilo funcionaria e até onde conseguiria chegar.
Só que, quando tenta colocar tudo isso em prática, descobre que vai precisar de gente que ainda nem conhece.
Pensa, por exemplo, numa incubadora que acompanha pessoas interessadas em abrir seus próprios negócios.
Um dia, chega até ela um grupo de empreendedores com uma proposta: transformar alimentos que seriam descartados em novos produtos.
A ideia tem uma intenção muito clara. Eles querem reduzir o desperdício e, ao mesmo tempo, construir um negócio que consiga se sustentar com a venda desses produtos.
É o que a gente chama de negócio de impacto.
Um negócio de impacto procura enfrentar um problema social ou ambiental por meio da sua atividade principal.
Como qualquer empreendimento, ele precisa gerar receita para continuar funcionando. Mas existe uma diferença importante: o resultado financeiro não conta essa história sozinho. Também importa saber se aquele trabalho está produzindo a mudança que se propôs a alcançar.
No caso dos nossos empreendedores imaginários, vender os produtos seria apenas uma parte da história. Eles também precisariam descobrir se estavam, de fato, reduzindo o desperdício de alimentos.
A equipe da incubadora começa a acompanhar o projeto. Ajuda os empreendedores a entender como a ideia poderia se transformar num negócio e a organizar os primeiros passos.
Só que, conforme o trabalho avança, surge uma dificuldade.
Eles precisam testar melhor a solução. E a incubadora não tem, sozinha, todos os conhecimentos necessários para isso.
Talvez exista uma universidade ali perto com pesquisadores que estudam justamente esse assunto.
Uma aproximação entre as duas instituições poderia ajudar o projeto a avançar.
Essa história é inventada, mas ajuda a enxergar uma coisa interessante.
A incubadora não deixou de ser importante porque precisou de ajuda. Pelo contrário. Quando encontrou alguém que podia contribuir com aquele projeto, conseguiu ampliar o trabalho que já fazia.
E talvez seja essa uma das partes mais bonitas da ideia de trabalhar em rede: uma instituição não precisa se transformar em outra para que as duas consigam realizar alguma coisa juntas.
O conhecimento que estava numa universidade pode encontrar uma necessidade que apareceu dentro de uma incubadora. E, desse encontro, pode nascer uma possibilidade que nenhuma das duas teria conseguido construir sozinha.
É para esse ambiente de relações que a gente olha quando fala em ecossistema de apoio a negócios de impacto.
E foi justamente esse ambiente que a Coalizão pelo Impacto se propôs a fortalecer.
A ideia era aproximar instituições que já apoiavam empreendedores e criar condições para que elas pudessem colaborar mais entre si.
Mas a Coalizão não surgiu do nada.
Antes dela, muita gente já vinha trabalhando para desenvolver o campo dos negócios de impacto no Brasil. Existiam organizações apoiando empreendedores e um conhecimento que havia sido construído ao longo dos anos.
A Aliança pelo Impacto também vinha reunindo recomendações para que esse campo pudesse avançar.
E, naquele período, o ICE, Instituto de Cidadania Empresarial, estava revendo seu planejamento estratégico.
Foi nesse encontro entre experiências anteriores e perguntas sobre o futuro que começou a nascer a possibilidade de uma nova iniciativa.
Mas como alguém percebe que já não basta continuar fazendo o trabalho da mesma maneira?
Para tentar entender isso, a gente conversou com Diogo Quitério, do ICE.
Pedimos que ele voltasse àquele momento, quando a Coalizão ainda não tinha nome na porta nem plano de trabalho em execução.
Queríamos saber o que estava acontecendo no campo dos negócios de impacto e por que começou a fazer sentido imaginar uma construção coletiva.
ENTREVISTA 1: DIOGO QUITÉRIO | ICE
- Queria que você voltasse um pouco no tempo, para antes da Coalizão existir. O que estava acontecendo no campo dos negócios de impacto naquele momento? O que vocês percebiam que ainda precisava avançar?
- Como essas percepções se conectaram às discussões da Aliança pelo Impacto e ao planejamento do ICE? Em que momento começou a fazer sentido pensar numa iniciativa que fortalecesse os ecossistemas locais?
- Você se lembra de alguma conversa ou situação daquele período que ajude a mostrar como essa ideia nasceu?
- Quando vocês começaram a desenhar a Coalizão, o que parecia mais desafiador? O que ainda era uma aposta naquele momento?
Quando acreditar numa ideia vira compromisso
Uma coisa é perceber que existe uma oportunidade de fazer diferente. Outra, bem diferente, é encontrar pessoas dispostas a apostar nessa possibilidade.
Porque, até esse momento, a Coalizão ainda era uma ideia.
E ideias têm uma vantagem sobre os projetos que já existem: enquanto estão no papel, quase tudo parece possível.
O desafio começa quando elas precisam encontrar espaço na vida real.
Em 2021, o ICE começou a mobilizar parceiros e a desenvolver o desenho da iniciativa.
A proposta tinha uma ambição considerável. Em vez de concentrar os esforços em um único empreendimento, buscava fortalecer o ambiente que permitiria que muitos negócios de impacto se desenvolvessem ao longo do tempo.
Era uma aposta num tipo de resultado que nem sempre aparece imediatamente.
Afinal, quando uma organização ajuda um empreendedor, é possível acompanhar o que acontece com aquele negócio. Mas, quando ela trabalha para fortalecer as relações entre instituições, parte do que está construindo pode demorar mais para aparecer.
E havia outro detalhe importante.
A Coalizão seria uma iniciativa de cinco anos.
Cinco anos é bastante tempo quando a gente pensa na vida de uma organização. As pessoas podem mudar de trabalho, novas prioridades podem surgir e aquilo que parecia tão urgente no começo talvez precise dividir espaço com outros compromissos.
A proposta precisava encontrar uma maneira de continuar existindo enquanto a vida seguia acontecendo.
O desenho da Coalizão passou a prever um aporte de 34 milhões de reais para esse período.
Os recursos ajudariam a fortalecer o trabalho de organizações que apoiavam empreendedores e a criar oportunidades para que elas desenvolvessem ações em conjunto.
O ICE assumiu a Secretaria Executiva da iniciativa, responsável pela coordenação de sua operação.
E a composição de organizações financiadoras foi sendo construída ao longo do tempo, reunindo instituições que decidiram participar da proposta em diferentes papéis.
Mas, antes dos planos locais começarem a funcionar, houve uma etapa que dificilmente aparece nas apresentações institucionais.
Aquela em que as pessoas precisam decidir se acreditam o suficiente numa ideia para assumir a responsabilidade de construí-la.
E isso significa aceitar que nem tudo estará resolvido no começo.
Ticiana Rolim, do Somos Um, esteve entre as primeiras apoiadoras da Coalizão.
Quando a gente olha para uma iniciativa que já existe há alguns anos, pode ser difícil imaginar como ela parecia para quem estava ali no início.
A Ticiana conheceu essa proposta quando ainda havia muito a ser decidido. E, mesmo assim, viu nela uma possibilidade que valia a pena ajudar a construir.
A gente quis saber de onde veio essa confiança.
E o que ela imaginava que poderia acontecer quando organizações diferentes decidissem caminhar juntas.
ENTREVISTA 2: TICIANA ROLIM | SOMOS UM
- Você consegue lembrar de quando ouviu falar da proposta da Coalizão pela primeira vez? Como essa ideia chegou até você e o que fez você perceber que valia a pena participar?
- Você lembra de alguma conversa importante daquele início, quando as organizações estavam tentando chegar a uma proposta comum?
- O que significava, para o Somos Um, assumir um compromisso de cinco anos com uma iniciativa dessa abrangência? Havia alguma dúvida ou receio naquele momento?
- E como foi construir essa agenda com organizações que tinham suas próprias experiências e maneiras de trabalhar?
- Quando você pensa naquele começo, o que mais te animava na possibilidade de reunir tantas organizações? O que você imaginava que poderiam conseguir construir juntas?
O trabalho que existe por trás de uma conexão
Quando a Coalizão começou a ganhar forma, havia uma pergunta importante esperando por uma resposta.
Como fortalecer um ecossistema?
Porque a palavra é bonita e dá a ideia de alguma coisa viva, formada por muitas partes que dependem umas das outras.
Mas, quando a gente olha de perto, encontra instituições que têm suas próprias rotinas. Pessoas tentando resolver problemas e organizações que nem sempre sabem o que as outras estão fazendo.
Aproximar tudo isso exige trabalho.
Lembra daquela incubadora que apareceu no começo do episódio?
Vamos voltar um instante para ela.
A equipe estava acompanhando um projeto para transformar alimentos que seriam descartados em novos produtos. E, quando precisou de um conhecimento que ainda não tinha, encontrou uma universidade que poderia ajudar.
A incubadora faz parte das chamadas organizações de apoio a empreendedores.
Já a universidade representa outra dimensão importante desse ambiente: as instituições de ensino superior.
É nesse encontro que a gente começa a perceber como o desenvolvimento de um negócio pode depender de relações que vão muito além de quem teve a ideia.
Agora imagina que o projeto funcionou.
Os testes deram certo e os empreendedores conseguiram desenvolver um produto. Depois de algum tempo, uma empresa descobre o trabalho deles e demonstra interesse em comprá-lo.
Aquela aproximação pode abrir uma oportunidade de mercado que o negócio ainda não tinha encontrado.
É uma das maneiras pelas quais o setor privado pode contribuir para um ecossistema de impacto.
Só que a encomenda traz um desafio novo. Para atender à demanda, talvez os empreendedores precisem ampliar a produção. E isso pode exigir um investimento que ainda não conseguem fazer.
É quando o acesso a recursos financeiros passa a ser importante.
Mas essa história não acontece num lugar isolado.
Ela acontece numa cidade.
E as decisões tomadas nessa cidade também influenciam as oportunidades que um negócio encontra.
Uma prefeitura pode reconhecer o potencial dessas iniciativas e desenvolver políticas que ajudem a criar um ambiente mais favorável para elas.
É por isso que o setor público também faz parte da proposta.
E existe uma outra coisa que muda quando essas experiências passam a circular mais pela cidade.
Alguém conhece a história daquele negócio e começa a imaginar uma possibilidade parecida para si. Uma pessoa que nunca tinha pensado em empreender descobre que pode criar uma atividade econômica a partir de um problema que gostaria de ajudar a resolver.
A Coalizão também olha para essa circulação de ideias. É o que chama de cultura empreendedora.
Mas ainda falta uma parte importante dessa história.
Quem ajudou aquela incubadora a encontrar a universidade?
Como uma instituição descobre que existe alguém trabalhando com um desafio que ela também quer enfrentar?
Esses encontros podem acontecer por acaso. Mas existem organizações que se dedicam justamente a criar condições para que eles aconteçam com mais frequência.
São as organizações estruturantes.
Elas trabalham para aproximar pessoas e instituições, ajudando a manter vivas as relações que sustentam o ecossistema.
É um tipo de trabalho que nem sempre aparece no resultado final.
Às vezes, a gente conhece uma parceria que deu certo e nem imagina quantas conversas foram necessárias para que aquelas pessoas se encontrassem.
E, quando tantas instituições começam a colaborar, chega um momento em que elas precisam decidir juntas quais caminhos seguir.
Na Coalizão, a governança local ajuda a organizar esse processo. É nesses espaços que representantes do território participam da construção das prioridades e acompanham o desenvolvimento das ações.
A intenção é que o trabalho seja orientado também pelo conhecimento de quem já está envolvido com aquela realidade.
Essas são as oito dimensões que orientam a atuação da Coalizão.
Mas elas não são etapas que um empreendedor precisa cumprir, uma depois da outra.
São maneiras de olhar para um mesmo ambiente e perceber como o trabalho de uma instituição pode encontrar o de outra.
E isso faz diferença porque nenhuma cidade é igual à outra.
Em um lugar, pode existir uma universidade com bastante conhecimento sobre empreendedorismo, mas que ainda tem poucas relações com as organizações locais.
Em outro, talvez as instituições já se conheçam muito bem. O desafio pode estar em encontrar recursos para que projetos que estão começando consigam avançar.
A Coalizão precisava entender essas diferenças antes de decidir como atuar.
Porque existe uma distância enorme entre encontrar uma cidade no mapa e conhecer o que acontece dentro dela.
E foi olhando para essa distância que a iniciativa começou a escolher os lugares onde trabalharia.
O mapa não conta a história inteira
Durante o processo de estruturação da Coalizão, a equipe analisou 27 municípios brasileiros.
O trabalho contou com a participação da consultoria Kearney, que colaborou com o ICE no desenvolvimento de uma ferramenta para compreender as condições dos ecossistemas locais.
A escolha precisava considerar o ambiente de apoio ao empreendedorismo e a diversidade regional e econômica do país.
Ao final, foram selecionadas seis cidades.
Belém, no Pará, e Fortaleza, no Ceará, entraram nesse mapa. Assim como Brasília, no Distrito Federal, e Campinas, no interior de São Paulo.
Mais ao sul, a proposta chegou a Paranaguá, no Paraná, e a Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Seis cidades distribuídas pelas cinco regiões brasileiras.
No mapa, elas aparecem como pontos que podem ser ligados por uma linha.
Mas uma cidade é muito mais do que o lugar onde alguém colocou um ponto.
Quando a Coalizão chegou a esses territórios, havia histórias que já estavam acontecendo.
Pessoas que trabalhavam há anos com empreendedorismo. Instituições que conheciam os desafios da região e relações que tinham sido construídas muito antes daquela iniciativa existir.
A Coalizão não estava chegando para inaugurar essas histórias.
Precisava encontrar uma maneira de fazer parte delas.
Em 2022, começaram a ser formados os grupos locais que participariam da construção dos planos de ação.
Era o momento em que a proposta nacional precisava encontrar a vida que já acontecia em cada cidade.
E isso significava se aproximar de quem conhecia os territórios. Ouvir as experiências que já existiam ali e construir, com essas pessoas, os caminhos que fariam sentido para o trabalho da Coalizão.
É interessante pensar que uma iniciativa pode ter um planejamento muito bem organizado e, mesmo assim, precisar aprender quando chega a um lugar novo.
Porque o conhecimento sobre um território não está inteiro dentro de um relatório.
Uma parte dele está com as pessoas que vivem as relações daquele lugar todos os dias.
Em Campinas, uma dessas pessoas foi o Wilson Campanholi Jr., o Will, da 2,5 Ventures.
Ele acompanhou a construção da Coalizão na cidade e viveu de perto esse encontro entre uma proposta nacional e um ecossistema que já tinha sua própria trajetória.
A gente conversou com ele para tentar entender como esse encontro aconteceu.
E o que muda quando uma ideia que parecia distante começa a encontrar espaço na realidade de um território.
ENTREVISTA 3: WILL | 2,5 VENTURES
- Queria que você voltasse ao momento em que a Coalizão começou a chegar a Campinas. O que estava acontecendo no ecossistema local naquela época? Que trabalho já vinha sendo desenvolvido?
- Você se lembra de algum encontro ou situação que ajude a mostrar como a Coalizão começou a se aproximar das organizações que já atuavam na cidade?
- Como foi construir uma agenda comum a partir dessa aproximação? Houve alguma percepção ou necessidade local que ajudou a orientar as primeiras decisões?
- Quando você pensa naquele começo, o que parecia mais promissor na possibilidade de aproximar essas organizações? O que vocês esperavam conseguir construir juntos?
O que começa quando as pessoas se encontram
A história de Campinas é uma das muitas que começaram a ser construídas a partir da chegada da Coalizão aos territórios.
Em cada cidade, a proposta encontrou organizações que já tinham uma trajetória. E, aos poucos, aquilo que havia sido imaginado nacionalmente começou a ganhar formas próprias nesses lugares.
Talvez essa seja uma das partes mais interessantes de voltar ao começo de uma história.
A gente sabe o que aconteceu depois. Mas as pessoas que estavam ali, naquele primeiro momento, ainda não sabiam.
Em 2021, quando a Coalizão começou a ser desenhada, havia uma possibilidade.
As organizações envolvidas acreditavam que poderiam fazer alguma coisa importante se encontrassem uma maneira de trabalhar juntas.
Mas ainda não existiam todas as relações que seriam construídas nos anos seguintes.
Havia pessoas que não tinham se conhecido. Conversas que ainda não tinham acontecido. E oportunidades que ninguém conseguia enxergar com clareza naquele momento.
Lá no começo do episódio, a gente foi procurar a origem da palavra coalizão.
E encontrou aquela imagem de crescer junto.
Agora, depois de conhecer um pouco melhor essa história, essa expressão ganha outro sentido.
Porque crescer junto não significa que todo mundo precisa pensar da mesma maneira, ou seguir exatamente pelo mesmo caminho.
Às vezes, é justamente quando a gente encontra alguém que enxerga as coisas de outro jeito que descobre uma possibilidade que não tinha considerado antes.
E talvez uma coalizão comece de verdade quando essa descoberta deixa de pertencer apenas a quem teve a ideia.
Quando uma organização começa a reconhecer o trabalho de outra como parte de alguma coisa que também quer construir.
Foi nessa direção que a Coalizão pelo Impacto começou a dar seus primeiros passos.
A proposta tinha encontrado parceiros dispostos a sustentá-la. E, nos territórios, começava a encontrar as pessoas que ajudariam a transformar aquele compromisso em trabalho cotidiano.
E a nossa história continua justamente aí.
Porque existe uma distância entre duas organizações decidirem trabalhar juntas e alguém encontrar, a partir dessa colaboração, uma oportunidade que antes não existia.
Às vezes, essa mudança começa numa conversa que faz uma pessoa olhar para o próprio trabalho de um jeito diferente.
Uma conversa que talvez pareça pequena para quem está de fora.
Mas que, para quem estava ali, pode abrir um caminho novo.
No próximo episódio, a gente vai se aproximar dessas experiências.
E tentar entender como uma decisão tomada entre instituições começa a fazer diferença na vida das pessoas que estão nos territórios.
Como um compromisso entre organizações se transforma em uma oportunidade concreta para alguém?
Você ouviu O que nos trouxe até aqui?, o primeiro episódio de Histórias de uma Coalizão pelo Impacto.
Com apresentação de Andressa Jordano e Victor Vasques. Produção da Com Limão para o InovaSocial, um projeto do Instituto Sabin.
Acompanhamento institucional de Gabriel Cardoso, gerente-executivo do Instituto Sabin, e Vivian Rubia, gerente de Comunicação e Programas do ICE.
A Coalizão pelo Impacto é uma iniciativa correalizada pelo ICE, Instituto de Cidadania Empresarial, pelo Instituto Helda Gerdau, pelo Instituto Itaúsa e pelo Somos Um.
E conta com a parceria estratégica da Cosan, Fundação Educar DPaschoal, Fundação FEAC, Fundação Grupo Boticário, Instituto Beja, Instituto humanize, Instituto Sabin e RD Saúde.
Uma ideia, quando encontra outras pessoas, pode acabar chegando a lugares que ninguém imaginava no começo.
E a nossa história ainda tem muitos desses encontros pela frente.
A gente se ouve no próximo episódio. Até lá!
Ep. #2: Ninguém chega sozinho
O roteiro de gravação deste episódio está em finalização e será publicado aqui em breve com todas as falas, entrevistas e orientações de áudio.
Ep. #3: Como uma rede vira ecossistema?
O roteiro de gravação deste episódio está em finalização e será publicado aqui em breve com todas as falas, entrevistas e orientações de áudio.
Ep. #4: O que ainda falta
O roteiro de gravação deste episódio está em finalização e será publicado aqui em breve com todas as falas, entrevistas e orientações de áudio.
Ep. #5: Seis cidades, seis caminhos
O roteiro de gravação deste episódio está em finalização e será publicado aqui em breve com todas as falas, entrevistas e orientações de áudio.
Ep. #6: O que fica
O roteiro de gravação deste episódio está em finalização e será publicado aqui em breve com todas as falas, entrevistas e orientações de áudio.